Entender as BIRRAS

Para muitos pais, a “idade das birras”, que surge normalmente por volta dos 2 anos de idade, é das mais difíceis de lidar. Não só porque exige um grande poder de autocontrolo e paciência por parte do adulto, mas também devido às ideias ou pensamentos que temos em relação às birras.

Birras

Quanta vez já se sentiu mau pai/mãe pelo facto de a criança contestar as suas decisões e não obedecer facilmente?
Ou quantas vezes já pensou que só o seu filho/a é que faz determinadas birras ou que não sabe simplesmente comportar-se?.

A partir do momento em que passamos a encarar a birra como algo natural do desenvolvimento da criança, a forma como olhamos para os desafios e como lidamos com eles também muda. A verdade é que é esperado para todas as crianças que as birras apareçam, pois são indicadoras de que a criança está à procura de mais independência e autonomia, ou seja, que a criança se está a desenvolver, a crescer.

As birras acontecem, pois durante a primeira infância (do nascimento aos 6 anos), o cérebro da criança ainda não se desenvolveu completamente. De facto, está comprovado cientificamente que o cérebro humano só fica completamente maduro por volta dos 25 anos de idade, pelo que até lá não nos é possível tirar partido de algumas importantes funções executadas, por exemplo, pelo córtex pré-frontal que tem um papel fundamental no controlo dos impulsos e na regulação das emoções. Desta forma, é esperado que as birras aconteçam com maior intensidade e frequência entre os 2 e os 3/4 anos, no entanto não terminam por aí. As birras podem perdurar até à vida adulta, assumindo, porém, manifestações diferentes.

Assim, as birras podem ser entendidas, não só como uma tentativa da criança manifestar as suas vontades e desejos, mas também de exprimir as suas emoções (como o medo, a tristeza e a raiva) que, ao contrário do adulto, não dispõe das ferramentas necessárias para o fazer de uma forma controlada, como por exemplo com recurso à comunicação verbal e à razão.

Tendo em conta que a criança nestas idades carece de competências verbais, a birra é a forma que ela encontra para mostrar a sua insatisfação face a algo que a incomoda ou para chamar a atenção dos adultos. Deste modo, é bastante comum que as birras aconteçam quando a criança está com fome, com sono, aborrecida, cansada, ou quando os cuidadores estão atarefados e pouco presentes para a criança naquele momento.

Por este motivo, é importante que os adultos sejam cuidadores conscientes e atentos às necessidades da criança de modo a poder evitar a frequência e/ou a intensidade das birras. Com isto quero dizer que se eu conseguir identificar as necessidades por preencher da criança e os sinais que poderão dar início à birra, posso conseguir evitá-la, proporcionando à criança espaço para se expressar e para receber conforto. Algumas destas situações podem servir de exemplo:

- Se o meu filho/a tem por hábito fazer birras quando decido ir, por exemplo, ao supermercado ou jantar fora, ao final da semana, pois costuma apresentar-se cansado/a e com sono, então poderei evitar estas situações.

- Se o meu filho/a tem por hábito fazer birras, porque tem sede ou fome, sempre que passamos mais tempo fora de casa, então poderei prevenir-me e ter sempre comigo água e alguns alimentos.

- Se o meu filho/a tem por hábito fazer birras sempre que lhe digo “Não”, posso tentar mudar o meu discurso de “Não podes (saltar no sofá)” para “Podes (saltar no chão)”.

- Se o meu filho/a tem por hábito fazer birras quando é a hora de ir dormir, ou porque quer continuar a brincar, ou passar mais tempo com os pais, posso ir antecipando essa situação alguns minutos antes e até incluir uma atividade que o/a ajude a relaxar e que seja do seu interesse.

As birras vão acontecer e nem sempre as poderemos evitar, no entanto a postura dos adultos é muito importante para auxiliar a criança a regular as suas emoções. Ajuda muito que os adultos mantenham a calma; procurem direcionar a criança para um lugar mais calmo; ajudem-na a identificar aquilo que está a sentir, oferecendo compreensão e empatia (p. ex., “Eu sei que que estás triste e que queres muito aquele brinquedo”); e, procurem identificar as necessidades da criança que estão em falta, sendo que no caso de não poderem ser satisfeitas no momento, explicar-lhe isso mesmo (p. ex., “Agora não podemos comprar-te o brinquedo, mas podes escolher um para comprarmos no teu aniversário”).

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