{"id":1300,"date":"2024-10-23T14:04:11","date_gmt":"2024-10-23T14:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/?p=1300"},"modified":"2024-10-23T15:00:41","modified_gmt":"2024-10-23T15:00:41","slug":"hiperatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/2024\/10\/23\/hiperatividade\/","title":{"rendered":"A ignor\u00e2ncia \u00e9 uma trag\u00e9dia: A import\u00e2ncia da consciencializa\u00e7\u00e3o na Perturba\u00e7\u00e3o de Hiperatividade\/D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: futura;\">Em pleno s\u00e9culo XXI, o estigma associado \u00e0 Perturba\u00e7\u00e3o de Hiperatividade\/D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o (PHDA) permanece palp\u00e1vel! As preconce\u00e7\u00f5es (i.e., cren\u00e7as ou ideias pr\u00e9vias) sobre a autenticidade da PHDA e a responsabiliza\u00e7\u00e3o nas compet\u00eancias parentais de quem educa estas crian\u00e7as permanecem enraizadas em mentes pelo mundo fora. Apesar das dificuldades significativas a n\u00edvel acad\u00e9mico, social, emocional e comportamental, estas crian\u00e7as s\u00e3o, frequentemente, rotuladas como desinteressadas, mal-educadas e pregui\u00e7osas. Recebem, claramente, mais coment\u00e1rios negativos sobre o seu comportamento e desempenho do que crian\u00e7as sem a perturba\u00e7\u00e3o, modelando o seu autoconceito em fun\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as pouco aut\u00eanticas e desajustadas. S\u00e3o muitas vezes ostracizadas porque n\u00e3o aprendem como os outros e n\u00e3o se comportam dentro da norma e, no meio de tudo isto, temos pais a lidar com sentimentos de desesperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro dos seus filhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">Ainda h\u00e1 muito que n\u00e3o sabemos sobre a etiologia (i.e., origens), trajet\u00f3ria e interven\u00e7\u00e3o na PHDA, tal como com outras doen\u00e7as de foro f\u00edsico. Contudo, n\u00e3o restam d\u00favidas quanto ao facto de esta ser uma perturba\u00e7\u00e3o ver\u00eddica, cr\u00f3nica e que, sem interven\u00e7\u00e3o, pode ter efeitos prejudiciais no desenvolvimento destas crian\u00e7as e no seu futuro enquanto adultos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">Outubro \u00e9 o m\u00eas de consciencializa\u00e7\u00e3o para a PHDA, por isso, vamos desmistificar!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><strong>O QUE \u00c9 A PHDA?<\/strong><\/h1>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">A Perturba\u00e7\u00e3o de Hiperatividade\/D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o do neurodesenvolvimento caracterizada por um padr\u00e3o persistente de desaten\u00e7\u00e3o ou falta de concentra\u00e7\u00e3o <strong>e\/ou<\/strong> hiperatividade-impulsividade, que se revela de modo mais intenso e grave que o habitual para indiv\u00edduos com o mesmo grau de desenvolvimento, interferindo significativamente no rendimento acad\u00e9mico, social ou laboral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\"><strong><em>Desaten\u00e7\u00e3o: <\/em><\/strong>dificuldades em regular o foco de aten\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as com PHDA tendem a apresentar dificuldades em permanecer concentradas nas tarefas, terminar trabalhos escolares ou tarefas da rotina di\u00e1ria, manter o foco, trabalhar de forma independente sem supervis\u00e3o e organizar tarefas e atividades. Muitas vezes, n\u00e3o ouvem com aten\u00e7\u00e3o quando lhes falam diretamente, n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e n\u00e3o seguem instru\u00e7\u00f5es ou esquecem-se do que lhes foi pedido. Estas dificuldades s\u00e3o mais proeminentes durante tarefas ou atividades repetitivas, desinteressantes e exaustivas\/complexas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\"><strong><em>Hiperatividade: <\/em><\/strong>atividade motora e verbal excessiva e desproporcional ao n\u00edvel desenvolvimental. As crian\u00e7as hiperativas podem ser irrequietas, impacientes e conversadoras. Est\u00e3o, frequentemente, fora dos seus lugares na escola ou noutras circunst\u00e2ncias em que o sentar \u00e9 esperado (por exemplo, na igreja, \u00e0 hora das refei\u00e7\u00f5es), movem os bra\u00e7os, as pernas ou as m\u00e3os, brincam com objetos, dan\u00e7am, cantam ou fazem ru\u00eddos enquanto trabalham ou estudam. Estes comportamentos est\u00e3o geralmente presentes se a crian\u00e7a estiver aborrecida ou subestimulada (i.e., falta de est\u00edmulos adequados para manter o interesse e aten\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\"><strong><em>Impulsividade: <\/em><\/strong>fracas compet\u00eancias de controlo inibit\u00f3rio. Agir ou falar sem considerar cuidadosamente nas consequ\u00eancias presentes e futuras, para si e para os outros, dar respostas antes de a pergunta ser conclu\u00edda, interromper os outros quando est\u00e3o a falar e dificuldades no adiamento da gratifica\u00e7\u00e3o (ex.: esperar numa fila, esperar pela sua vez para participar num jogo), s\u00e3o caracter\u00edsticas associadas a comportamentos impulsivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">Uma caracter\u00edstica adicional, menos conhecida, \u00e9 a<strong><em> desregula\u00e7\u00e3o emocional (DE). <\/em><\/strong>A DE refere-se \u00e0 incapacidade de modular ou suprimir as respostas emocionais, ou seja, estas tendem a ser desproporcionais \u00e0 idade de desenvolvimento e ao contexto social da crian\u00e7a. A DE pode apresentar-se como excitabilidade f\u00e1cil ou dificuldades em moderar a express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es negativas (ex.: baixa toler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, impaci\u00eancia e raiva).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span style=\"font-family: futura;\"><strong>MITOS<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: futura;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<h5><span style=\"font-family: futura;\"><strong>A PHDA \u00e9 uma conce\u00e7\u00e3o dos tempos modernos.<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">Uma an\u00e1lise da literatura hist\u00f3rica sugere que crian\u00e7as com sintomas de desaten\u00e7\u00e3o, hiperatividade e impulsividade t\u00eam vindo a ser descritas por v\u00e1rios autores nos \u00faltimos 200 anos. A primeira descri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de crian\u00e7as com sintomas an\u00e1logos \u00e0 atual concetualiza\u00e7\u00e3o de PHDA data de 1755.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><span style=\"font-family: futura;\"><strong>Sem hiperatividade, n\u00e3o h\u00e1 PHDA.<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">Isto n\u00e3o \u00e9 verdade! De acordo com a frequ\u00eancia e intensidade dos sintomas, a PHDA pode ser subdividida em tr\u00eas padr\u00f5es de apresenta\u00e7\u00e3o distintos: a) predominantemente desatenta, quando existem, maioritariamente, sintomas de desaten\u00e7\u00e3o; b) predominantemente hiperativa-impulsiva, quando est\u00e3o presentes, sobretudo, sintomas de hiperatividade-impulsividade e c) combinada, se estiverem presentes seis ou mais sintomas de ambos os fatores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><span style=\"font-family: futura;\"><strong>A PHDA s\u00f3 afeta rapazes.<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">\u00c9 verdade que as taxas de diagn\u00f3stico entre g\u00e9neros s\u00e3o significativamente d\u00edspares, contudo, a PHDA n\u00e3o est\u00e1, apenas, presente nos rapazes! Esta discrep\u00e2ncia \u00e9 atribu\u00edda, na literatura, \u00e0 frequ\u00eancia reduzida de sintomas de hiperatividade-impulsividade e de comportamentos externalizantes (isto \u00e9, o vulgar \u201cmau comportamento\u201d) nas meninas, que conduz a uma identifica\u00e7\u00e3o, encaminhamento e diagn\u00f3stico tardios.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><span style=\"font-family: futura;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 adultos com PHDA.<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">A PHDA \u00e9 um quadro cl\u00ednico neurobiol\u00f3gico e cr\u00f3nico! Isto significa que afeta os indiv\u00edduos ao longo do ciclo de vida. Apesar da possibilidade de remiss\u00e3o total ou parcial dos sintomas, as estimativas atuais indicam que 2.5% dos adultos cumprem crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico para PHDA. Contudo, a apresenta\u00e7\u00e3o sintomatol\u00f3gica vai-se modificando com o desenvolvimento: a hiperatividade diminui durante a adolesc\u00eancia e as dificuldades atencionais, de planeamento, organiza\u00e7\u00e3o e controlo inibit\u00f3rio mant\u00eam-se significativas na idade adulta.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><span style=\"font-family: futura;\"><strong>A PHDA \u00e9 consequ\u00eancia de compet\u00eancias parentais pobres, a dita \u201cm\u00e1 educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">A PHDA \u00e9 caracterizada por uma etiologia complexa. Sabemos, atualmente, que a origem da PHDA \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre fatores gen\u00e9ticos, neurol\u00f3gicos e ambientais. Isto significa que se um adulto tiver PHDA, a probabilidade do seu filho ser diagnosticado \u00e9 de 50 a 60%. Contudo, existem fatores pr\u00e9- (i.e., associados \u00e0 sa\u00fade materna e ao bem-estar durante a gravidez), peri- (ex.: associados a complica\u00e7\u00f5es durante o parto e nascimento) e p\u00f3s-natais (i.e., acontecimentos adversos que ocorrem ap\u00f3s o nascimento) que podem contribuir para o desenvolvimento, express\u00e3o e trajet\u00f3ria dos sintomas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">A caracter\u00edsticas descritas t\u00eam s\u00e9rias consequ\u00eancias em m\u00faltiplos contextos e est\u00e3o associadas a dificuldades acad\u00e9micas, relacionais, emocionais e comportamentais que acompanham estas crian\u00e7as ao longo do ciclo de vida. J\u00e1 em 1995 se escrevia na comunidade cient\u00edfica que estas dificuldades originam sentimentos de incompet\u00eancia, inseguran\u00e7a, inefic\u00e1cia, insucesso e frustra\u00e7\u00e3o na vida adulta. Por isso, cabe-nos a n\u00f3s, adultos e profissionais (i.e., psic\u00f3logos, m\u00e9dicos, terapeutas, professores), providenciar a estas crian\u00e7as a confian\u00e7a que muitas vezes lhes falta, as compet\u00eancias que muitas vezes t\u00eam dificuldade em colocar em pr\u00e1tica e a compreens\u00e3o que, frequentemente, n\u00e3o faz parte do seu dia-a-dia, para que se tornem adultos est\u00e1veis, realizados e confiantes em si e nas suas capacidades.<\/span><\/p>\n<h6><span style=\"font-family: futura;\">A falta de consciencializa\u00e7\u00e3o e conhecimento sobre a PHDA conduzem, inequivocamente, \u00e0 demora no encaminhamento, avalia\u00e7\u00e3o, interven\u00e7\u00e3o e obten\u00e7\u00e3o dos apoios que a crian\u00e7a tanto precisa, por isso, sejamos atentos e emp\u00e1ticos na tentativa de ajudar estas crian\u00e7as a atingir o seu potencial.<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: futura;\">Andreia Veloso<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pleno s\u00e9culo XXI, o estigma associado \u00e0 Perturba\u00e7\u00e3o de Hiperatividade\/D\u00e9fice de Aten\u00e7\u00e3o (PHDA) permanece palp\u00e1vel! 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