{"id":812,"date":"2022-03-14T18:13:38","date_gmt":"2022-03-14T18:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/?p=812"},"modified":"2022-03-14T18:13:38","modified_gmt":"2022-03-14T18:13:38","slug":"quais-os-medos-nas-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/2022\/03\/14\/quais-os-medos-nas-criancas\/","title":{"rendered":"Quais os medos normativos\/esperados nas crian\u00e7as?"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"font-family: futura;\">Antes de responder \u00e0 quest\u00e3o levantada, \u00e9 importante salientar que o medo \u00e9 uma resposta natural do nosso corpo perante um est\u00edmulo que amea\u00e7a o nosso bem-estar e seguran\u00e7a, pelo que tem tend\u00eancia a desaparecer, assim que o est\u00edmulo amea\u00e7ador desaparece.<\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-family: futura;\"> Podemos dizer que estamos perante a emo\u00e7\u00e3o medo quando estamos na presen\u00e7a de sintomas cognitivos, afetivos, fisiol\u00f3gicos, comportamentais e\/ou relacionais, isto \u00e9, quando o est\u00edmulo ou a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 percebida como amea\u00e7adora ou perigosa; aparecem sentimentos de nervosismo, tens\u00e3o e inquieta\u00e7\u00e3o; e, o nosso corpo inicia um conjunto de ativa\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas que nos preparam para eliminar a amea\u00e7a, seja atrav\u00e9s da luta ou da fuga (apesar de que, por vezes, dado o perigo extremo, a pessoa pode ficar sem rea\u00e7\u00e3o, ou seja, paralisada). Desta forma, podemos concluir que est\u00e1 claro que o <strong>medo \u00e9 uma resposta adaptativa ao perigo e que tem um papel fundamental na nossa sobreviv\u00eancia, j\u00e1 que tem a fun\u00e7\u00e3o de alarme, prepara\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o contra poss\u00edveis amea\u00e7as.<\/strong><\/span><\/p>\n<h4><span style=\"font-family: futura;\">Tendo em conta que o medo implica uma componente avaliativa da situa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a e que est\u00e1 dependente do desenvolvimento cognitivo e social \u00e9 errado pensar que, com o avan\u00e7ar da idade, o medo exista cada vez menos. A verdade \u00e9 que <strong>o medo, ao longo do desenvolvimento, vai assumindo representa\u00e7\u00f5es diferentes, assim como as fontes causadoras desta emo\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/h4>\n<pre><span style=\"font-family: futura;\"><strong>Nos primeiros seis meses<\/strong>, uma estimula\u00e7\u00e3o sensorial excessiva ou inesperada \u00e9 causadora de medo, como \u00e9 o caso dos sons altos e da perda de suporte. Mais tarde, entre os seis e os nove meses, surge o medo associado a pessoas estranhas e a est\u00edmulos novos, como \u00e9 o caso das m\u00e1scaras e alturas.<\/span>\r\n\r\n<span style=\"font-family: futura;\">Contudo, assim que a perce\u00e7\u00e3o da const\u00e2ncia do objeto e as rela\u00e7\u00f5es de causa-efeito se desenvolvem, <strong>a partir de 1 ano<\/strong>, aparece o medo associado \u00e0 separa\u00e7\u00e3o das figuras de vincula\u00e7\u00e3o, o medo do dano, nomeadamente f\u00edsico (p.e., quedas e interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas), e em determinados rituais de higiene.<\/span>\r\n\r\n<span style=\"font-family: futura;\"><strong>Aos dois anos<\/strong>, durante o est\u00e1dio pr\u00e9-operat\u00f3rio, a capacidade de brincar ao faz de conta e a imagina\u00e7\u00e3o desenvolvem-se, contudo a capacidade que permite a distin\u00e7\u00e3o da fantasia da realidade ainda n\u00e3o est\u00e1 adquirida e a crian\u00e7a come\u00e7a a temer as criaturas imagin\u00e1rias e sobrenaturais.<\/span>\r\n\r\n<span style=\"font-family: futura;\"><strong>Aos tr\u00eas anos<\/strong> \u00e9 esperado o medo associado a c\u00e3es e animais grandes, pois apresentam caracter\u00edsticas e movimentos que a crian\u00e7a n\u00e3o controla. Al\u00e9m disso, surge o medo de estar sozinho\/a, mesmo que consiga ouvir a voz das figuras cuidadoras.<\/span>\r\n\r\n<span style=\"font-family: futura;\"><strong>Aos 4 anos<\/strong>, aparece o medo do escuro, mais especificamente na hora de adormecer.<\/span>\r\n\r\n<span style=\"font-family: futura;\"><strong>Entre os 6 e os 12 anos,<\/strong> durante o est\u00e1dio operat\u00f3rio-concreto, surge o medo em rela\u00e7\u00e3o a certos aspetos da escola (p.e., o medo de n\u00e3o ter aproveitamento escolar), dos acontecimentos naturais (p.e., tsunamis, trov\u00f5es e epidemias) e a ansiedade social (associada, por exemplo, \u00e0 compara\u00e7\u00e3o com os outros e \u00e0 apar\u00eancia f\u00edsica).<\/span>\r\n\r\n<span style=\"font-family: futura;\"><strong>Dos 13 aos 18 anos<\/strong>, a capacidade abstrata emerge, pelo que o\/a jovem consegue projetar o que ir\u00e1 acontecer no futuro e antecipar os perigos, surgindo os medos relacionados com a rejei\u00e7\u00e3o dos pares, a aliena\u00e7\u00e3o social e o macabro.<\/span><\/pre>\n<p><span style=\"font-family: futura;\">Apesar de todos estes medos serem expect\u00e1veis a determinada fase do desenvolvimento, \u00e9 de salientar que n\u00e3o ben\u00e9fico por parte dos cuidadores desvalorizar o medo, promovendo sim a aceita\u00e7\u00e3o do mesmo e formas adaptativas de o enfrentar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: futura;\">Dra. Sara Freitas<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de responder \u00e0 quest\u00e3o levantada, \u00e9 importante salientar que o medo \u00e9 uma resposta natural do nosso corpo perante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[48,49,50],"tags":[24,52,53],"class_list":["post-812","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-criancas-adolescentes","category-parentalidade","category-parentalidadepositiva","tag-ansiedade","tag-parentalidade","tag-parentalidadepositiva","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=812"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":816,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812\/revisions\/816"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}