{"id":839,"date":"2022-04-05T08:26:31","date_gmt":"2022-04-05T08:26:31","guid":{"rendered":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/?p=839"},"modified":"2022-04-05T08:26:31","modified_gmt":"2022-04-05T08:26:31","slug":"parentalidade-e-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/2022\/04\/05\/parentalidade-e-ansiedade\/","title":{"rendered":"A influ\u00eancia da Parentalidade na Ansiedade Infantil"},"content":{"rendered":"<p>Os comportamentos parentais t\u00eam vindo a ser estudados como fatores importantes para a origem e manuten\u00e7\u00e3o das perturba\u00e7\u00f5es de ansiedade nas crian\u00e7as, pelo que urge a necessidade de se falar sobre eles como forma de preven\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De facto, a interpreta\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es como amea\u00e7adoras e o padr\u00e3o de comportamento de luta ou fuga s\u00e3o aprendidos pelas crian\u00e7as dentro de um contexto relacional que envolve, n\u00e3o s\u00f3 os pais\/cuidadores, mas tamb\u00e9m irm\u00e3os, professores e os pares\/colegas, sendo que todos eles podem representar para a crian\u00e7a importantes modelos a seguir.<\/p>\n<p>Neste sentido, apresento, de seguida, alguns comportamentos\/atitudes que influenciam negativamente a forma como a crian\u00e7a vive a sua ansiedade, podendo at\u00e9 contribuir para que a ansiedade se mantenha na sua vida.<\/p>\n<h5><strong>Ansiedade dos Pais<\/strong><\/h5>\n<p>Uma caracter\u00edstica que tem recebido muita aten\u00e7\u00e3o por parte da comunidade cient\u00edfica diz respeito \u00e0 ansiedade demonstrada pelos pais. As pesquisas mostram que uma parentalidade mais ansiog\u00e9nica (i. e., que envolve comportamentos e atitudes parentais que aumentam a ansiedade na crian\u00e7a) explicam a presen\u00e7a de uma maior ansiedade infantil e resultados menos eficazes ao n\u00edvel do tratamento. Este resultado \u00e9 explicado pelo facto dos pais ansiosos serem menos calorosos, mais retra\u00eddos, de n\u00e3o contribu\u00edrem para a autonomia da crian\u00e7a (p.e., ajudam as crian\u00e7as com as tarefas que j\u00e1 deveriam saber fazer sozinhas), e s\u00e3o mais propensos a refor\u00e7ar cren\u00e7as ansiog\u00e9nicas (p.e., concordar com a crian\u00e7a que uma situa\u00e7\u00e3o temida por esta \u00e9 perigosa).<\/p>\n<h5><strong>Sobreprote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p>De facto, pais ansiosos, preocupados com tudo \u00e0 sua volta e a quererem controlar tudo, para que os acontecimentos negativos n\u00e3o ocorram, v\u00e3o conceder menos autonomia \u00e0s suas crian\u00e7as. Al\u00e9m disso, m\u00e3es ansiosas e deprimidas t\u00eam tend\u00eancia a ver os filhos como mais fr\u00e1geis e\/ou sens\u00edveis, procurando proteg\u00ea-los ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<h6><strong>Cren\u00e7as<\/strong><\/h6>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o s\u00e3o os medos dos pais que s\u00e3o transmitidos aos filhos, mas sim o padr\u00e3o de evitamento ou de fuga por parte dos pais face aos seus pr\u00f3prios medos ou at\u00e9 mesmo problemas. Este padr\u00e3o pode, ainda, ser refor\u00e7ado por um conjunto de cren\u00e7as que s\u00e3o transmitidas, mesmo que inconscientemente, pelos pais atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o com as suas crian\u00e7as, tais como:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<pre>\u201cTudo o que \u00e9 mau deve ser evitado\u201d \u2013 exemplo: \u201cEu n\u00e3o te disse que te ias magoar?\u201d. Transmite a ideia de que a crian\u00e7a est\u00e1 a sofrer porque quer, porque n\u00e3o evitou, visto ter sido avisada.<\/pre>\n<\/li>\n<li>\n<pre>\u201cH\u00e1 perigos em todo o lado e devemos estar em alerta\u201d. \u00c9, muitas vezes, transmitida a ideia de que o mundo \u00e9 perigoso e que devemos estar com muita aten\u00e7\u00e3o para nos protegermos.<\/pre>\n<\/li>\n<li>\n<pre>\u201c\u00c9 preciso ser-se perfeito ou, ent\u00e3o, n\u00e3o se tem valor como pessoa\u201d. Pais com esta cren\u00e7a tendem a ficar muito desiludidos e reativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s falhas das suas crian\u00e7as, originando tens\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o na sua rela\u00e7\u00e3o com estas. Al\u00e9m disso, crian\u00e7as cujos pais apresentam cren\u00e7as mais cr\u00edticas sentem, normalmente, que os pais n\u00e3o gostam delas.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h5><strong>Regula\u00e7\u00e3o Emocional<\/strong><\/h5>\n<p>Estudos recentes sugerem que os pais apresentam comportamentos parentais ansiog\u00e9nicos como forma de reduzir o seu pr\u00f3prio estado de stress face \u00e0 ansiedade mostrada pelas suas crian\u00e7as. Por outro lado, as crian\u00e7as ansiosas t\u00eam tend\u00eancia a exibir uma pobre capacidade de regula\u00e7\u00e3o emocional, o que consequentemente far\u00e1 aumentar os comportamentos ansiog\u00e9nicos por parte dos pais.<\/p>\n<p>Para terminar, \u00e9 de salientar que as transi\u00e7\u00f5es do ciclo de vida familiar e os eventos de vida causadores de stress dentro da fam\u00edlia podem potenciar o aparecimento de problemas de ansiedade clinicamente significativos, sendo que estes problemas s\u00e3o, posteriormente, mantidos por padr\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o familiar que refor\u00e7am as cren\u00e7as relacionadas com a ansiedade e o comportamento de evitamento da crian\u00e7a. Estas transi\u00e7\u00f5es podem ser, por exemplo, o in\u00edcio da escola, uma mudan\u00e7a de casa, o nascimento de um irm\u00e3o ou crises familiares, como doen\u00e7a da crian\u00e7a ou parental. Nestas situa\u00e7\u00f5es, a crian\u00e7a pode interpretar a transi\u00e7\u00e3o ou crise como uma amea\u00e7a e adotar um comportamento de evitamento como forma de lidar com a situa\u00e7\u00e3o ansi\u00f3gena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os comportamentos parentais t\u00eam vindo a ser estudados como fatores importantes para a origem e manuten\u00e7\u00e3o das perturba\u00e7\u00f5es de ansiedade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":844,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,58,48,49,1],"tags":[24,36,52],"class_list":["post-839","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-ansiedade","category-consulta-de-psicologia","category-criancas-adolescentes","category-parentalidade","category-uncategorized","tag-ansiedade","tag-consultas-de-psicologia","tag-parentalidade","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=839"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":843,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/839\/revisions\/843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/menteconsciente.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}