A adolescência é uma fase da vida que envolve uma maior centração do adolescente em si próprio, por todas as transformações físicas e psicológicas inerentes, mas também uma das que requer um papel mais ativo por parte dos seus cuidadores.
Quando falo em papel ativo pretendo chamar atenção para a importância de se estar presente de forma consciente na vida do adolescente, acompanhando, apoiando e normalizando todas as mudanças a que está sujeito. É uma verdade que nem todos os adolescentes recorrem aos pais para falarem sobre o que se passa nas suas vidas, apoiando-se mais no grupo de amigos ou noutros familiares – e deve estar tudo bem com isso.
Podem ser muitas as razões pelas quais isto acontece, como o medo por parte do adolescente em desiludir ou preocupar as suas figuras de vinculação. No entanto, mais importante que desabafar com os pais, é saberem que têm a quem recorrer quando precisarem de o fazer, seja um amigo/a, tio/a, primo/a, professor/a, psicólogo/a, etc.
Estar presente ativamente é também mostrar-se disponível para ouvir sem julgar. Por vezes, há uma tendência dos pais para desvalorizar certos desabafos por parte dos adolescentes que lhes parecem insignificantes ou até mesmo fazer juízos de valor acerca daquilo que o adolescente está a sentir. Porém, sem empatia, não há conexão. Mais importante que dar a sua opinião, é saber ouvir; mostrar ao adolescente que, independentemente dos seus problemas/receios, o pai/a mãe vão estar disponíveis para o ajudar.
Mostrar curiosidade sobre a vida do adolescente (sem ser intrusivo) também é fundamental. Os pais podem fazê-lo, mostrando interesse em conhecer o seu grupo de amigos, acompanhando os filhos em eventos/atividades, festejando as suas vitórias, partilhando com os filhos acontecimentos/histórias da sua própria adolescência, entre outros. Não é esperado que a curiosidade se torne numa tentativa de controlar o que se passa na vida do seu adolescente, mas sim uma forma de potenciar a vossa ligação.
Partilhe com o seu adolescente aquilo que está a sentir, o que o preocupa. Mostrar aos seus filhos que também é humano, que também tem sentimentos, emoções, preocupações, que também erra e que também pede desculpa, não só revela que não é perfeito e que todos estamos em constante evolução e desenvolvimento, como também é possibilitador de sentimentos como a empatia, a confiança e a conexão.
Esteja atento aos sinais. Quando algo não está bem, por mais que se tente esconder, o nosso corpo dá sinais e, nesse sentido, deve estar a atento e oferecer ajuda. Um sinal pode ser qualquer mudança que considere significativa a nível do humor, mais deprimido e/ou mais ansioso, a nível do apetite, baixo ou alto, problemas do sono, baixo rendimento escolar, falta de prazer em realizar atividades que antes apreciava, entre outras alterações.
Por fim, aposte nos momentos em família ou de pai/mãe para filho/a, para que juntos possam ter momentos prazerosos e de relaxamento, mas também momentos em que conversam sobre assuntos sérios que possam estar a acontecer no Mundo ou na vida de cada um. Esteja atento às opiniões, sentimentos e atitudes do seu filho e esteja disposto a acolhê-los com sensibilidade, ajudando-o a ver outras perspetivas, mas sem nunca desvalorizar a do próprio.
Dra. Sara Freitas




