Com o artigo “Entender as BIRRAS” foi possível perceber que as birras fazem parte do desenvolvimento natural de todas as crianças e que aparecem como uma forma da criança manifestar a sua insatisfação face a determinada situação ou quando procura satisfazer alguma necessidade sua, já que não dispõe das mesmas capacidades de comunicação e de maturação cerebral de um adulto.
Deste modo, quando estamos perante uma situação deste tipo é fundamental ter em consideração a nossa postura que deve transmitir segurança, apoio e compreensão, para que a criança possa recuperar o controlo e equilíbrio das suas emoções. Adotar uma postura mais insegura através do uso de ameaças ou castigos não irá ajudar neste processo de autorregulação, antes pelo contrário. A criança não se irá sentir compreendida, valorizada e confiante. A criança aprenderá que as suas necessidades não são tidas em conta e que de nada vale exprimi-las, dificultando, e muito, o seu processo de independência e autonomia.
Então, o que é que podemos fazer quando estamos perante uma birra?
1ª Manter a calma. Já percebemos que a intenção da criança com a birra não é aborrecê-lo/a, mas sim pedir ajuda, já que não sabe lidar com as suas emoções de outra forma. Por isso, confie nas suas capacidades. Acredite que como adulto dispõe das ferramentas necessárias para ajudar a criança a sentir-se melhor e, dessa forma, conseguir resolver o conflito. 2ª Posicionar-se ao mesmo nível dos olhos da sua criança para facilitar a comunicação. Caso considere que não é o local mais adequado para o fazer ou que não é seguro o suficiente, transporte a criança para outro lugar. 3ª Não corrigir o comportamento. Já há estudos que mostram que o momento da birra não é a altura ideal para explicar à criança porque esteve mal, pois a desregulação emocional a que está sujeita não lhe permite racionalizar ainda sobre a situação. Assim, no momento da birra será mais importante a empatia e o reconhecimento das emoções. Noutra altura, poderá voltar a falar sobre essa situação. 4ª Oferecer à criança um espaço seguro para se expressar. É importante que não julgue nem culpe a criança pelo que está a acontecer, mas sim que ouça o que esta tem para dizer e mostre empatia. Isto não quer dizer que vai fazer o que a criança está a pedir, mas sim que vai mostrar compreensão perante o tal pedido, mesmo que não o cumpra. Se a criança o permitir, experimente dar-lhe um abraço ou um carinho. 5ª Identificar as necessidades em falta. No momento da birra, a criança precisa de se sentir acolhida, protegida e em segurança, pelo que cabe aos cuidadores assumir uma postura segura, confiante e controlada. Porém, isso não é suficiente. É também da responsabilidade dos cuidadores perceber o que é que a criança procura com determinado comportamento – estará à procura de atenção/conexão com os pais? De se sentir mais autónoma e independente? De se sentir valorizada?. 6ª Comunicar os seus limites de uma forma clara. Por vezes, nestes momentos, as crianças assumem comportamentos mais agressivos, seja para com os cuidadores ou até sobre objetos, sendo essencial comunicar à criança que, apesar de se compreender que esta esteja zangada, estes não são comportamentos aceitáveis, pois colocam em risco a sua segurança e a de outros.
Depois de se compreender verdadeiramente o conceito “birras”, tudo se torna mais fácil e intuitivo, já que estas são estratégias que vão ao encontro do grande objetivo que é ajudar a criança a sentir-se melhor, aprendendo a regular as suas emoções.




